O Ministério dos Transportes firmou acordos estratégicos para destinar trechos ferroviários inoperantes nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Esses trechos, localizados em 18 municípios do Paraná e Espírito Santo, abrirão espaço para novos projetos de mobilidade urbana, turismo e desenvolvimento regional, beneficiando diretamente a população dessas áreas.
Destinação dos trechos ferroviários no Espírito Santo
No Espírito Santo, cerca de 260 quilômetros da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela VLI, poderão ser reaproveitados para fins públicos como turismo, lazer e mobilidade urbana. A iniciativa abrange 11 municípios: Vila Velha, Cariacica, Viana, Domingos Martins, Marechal Floriano, Alfredo Chaves, Vargem Alta, Cachoeiro de Itapemirim, Atílio Vivácqua, Muqui e Mimoso do Sul.
O governador Ricardo Ferraço destacou a importância de assumir esse patrimônio ferroviário para integrar os municípios, fortalecer o turismo, o esporte e a economia, além de impulsionar novas vocações ao longo do corredor ferroviário. Ele ressaltou que a ferrovia atravessa grande parte do território capixaba e representa uma oportunidade para promover desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da população.
Reaproveitamento dos trechos ferroviários no Paraná
No Sul do país, o Ministério dos Transportes abriu caminho para a destinação de trechos ferroviários entre 50 e 80 quilômetros, atualmente sob concessão da Rumo, nos municípios paranaenses de Arapoti, Carambeí, Castro, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Ponta Grossa e Ventania.
O prefeito de Piraí do Sul, Henrique de Oliveira, apresentou planos para utilizar a área cedida para a criação de uma galeria de cultura e arte, junto a um parque urbano. Ele afirmou que o acordo representa uma oportunidade para escrever uma nova história para o município.
Importância dos acordos para os trechos ferroviários ociosos
O ministro dos Transportes, George Santoro, assinou os acordos de cooperação técnica que viabilizam a cessão dos trechos ferroviários inoperantes. Ele ressaltou que o reaproveitamento desses ativos ociosos é fundamental para devolver as áreas à sociedade, especialmente quando não há viabilidade para a operação ferroviária de cargas.
Santoro explicou que o compromisso inicia os atos preparatórios para destinar aos estados as áreas sem vantagens comerciais para renovação de concessões. O modelo já testou sucesso em Araraquara (SP) e está sendo ampliado para outros estados, como Aracaju (SE) e Campina Grande (PB).
O ministro destacou que o objetivo é aproveitar a infraestrutura ferroviária existente para implantar soluções de transporte e deixar um legado de projetos consolidados, aptos a contribuir para o fortalecimento da mobilidade nacional.
Estudos e diagnósticos para repasse dos trechos ferroviários
Após a assinatura dos documentos, serão contratados estudos para definir as diretrizes necessárias para o repasse dos trechos ferroviários. Nos últimos três anos, o Ministério dos Transportes realizou um diagnóstico da malha ferroviária, identificando ativos sem relevância para o órgão, mas com grande potencial de aproveitamento para prefeituras e estados.
Esses esforços visam garantir que os trechos ferroviários ociosos possam ser utilizados para atender às necessidades locais, promovendo desenvolvimento regional e novas oportunidades para as comunidades envolvidas.